Eu e tu… somos a personalidade do ano

31 December, 2006

 

Felizmente que algumas revistas continuam a conseguir surpreender-me e a produzir trabalhos com qualidade e interesse. Infelizmente, são todas estrangeiras…


Feliz ano…

31 December, 2006

A quem me visita (e a quem não me visita,também!)…

FELIZ ANO NOVO


apedeite

31 December, 2006

Tenho estado algo parado por estas bandas… o final do ano tem sido atribulado e cansativo. Vou tentar aproveitar estes dias para tentar actualizar o que tenho para registar. E tenho IMENSAS coisas para escrever 😀

Logo que possa, junto as imagens…

Entretanto, vou tentar amanhã (hoje…) escrever algo para o meu projecto de doutoramento. Haverá melhor forma de terminar o ano?


A ps2, a psp, a ps3, a revista da indústria e a psicóloga dela

31 December, 2006

Ramirez, Alexandra (Dezembro, 2006). “O outro lado”. Playstation 2, 51. p. 94.

No último mês do ano de 2006, decidi comprar pela segunda ou terceira vez a “revista oficial” Playstation 2. Não, não fui possuído por um espírito de natal do trabalho. A razão é muito mais simples… Em Verride vivem 2 dos meus sobrinhos (8 anos) que já (ab)usam da PS2 😀 e esta é a única revista que traz demos jogáveis… Para além do mais, eles adoram o universo do Senhor dos Anéis e a revista traz uma demo do jogo Eragon, uma espécie de Senhor dos Anéis “light version”. Entretanto, eles já compraram o jogo completo (pelo menos compraram depois de experimentar a demo…) e agora vou eu ficar com o DVD e com os Lemmings 🙂

Mas não quero fugir ao tema… Na acima mencionada revista vem publicado um artigo de uma psicóloga sobre violência e videojogos. A ideia-chave do texto pode ser resumida nesta pérola: “é preciso pararmos de apontar o dedo a uma indústria que apenas nos dá o que pedimos”. Demonstrando a sua total “isenção” e qualidade da opinião, termina o texto desta forma: “De facto, continua a ser fácil «apontarmos o dedo» à indústria que só existe para nos servir, mas o que é real, por mais que isso custe a admitir, é que esse dedo que apontamos, esconde outros três virados para nós…”

Não, não vou falar no 5ºdedo esquecido, o polegar. Esse ícone da geração playstation, dedo absolutamente essencial para compreendermos a evolução dos hominídeos (a oposição do polegar) e para utilizar o dual shock 😀 pergunto-me se terá sido propositado o esquecimento… Vou falar na minha tristeza ao ler textos tão “curtos” sobre temas tão interessantes e importantes, textos que, na minha opinião, prestam um mau serviço aos interessados pelos videojogos, aos pais e, em última análise, à psicologia…

A psicóloga Alexandra Ramirez começa por referir uma carta que terá recebido de um leitor onde se relata uma triste história passada em 1992: uma criança de 10 anos “assassina acidentalmente” (sic) um amigo com uma manobra do “wrestling”. Segura de si, cheia de certezas, a psicóloga afirma “Certamente que, no jovem protagonista do triste caso real relatado pelo nosso leitor, a percepção dos combates de WWE foi de facto uma má influência e provocou nele, mesmo que de forma indirecta,um comportamento violento. Mas, o que é certo, é que em centenas de outros tantos jovens, essa percepção não os influencia em nada.”

Não vou comentar a qualidade da escrita, a forma, estou mais preocupado com o conteúdo. Não obstante, acho que devia haver mais algum cuidado com a escrita.

A minha primeira questão prende-se com a história. Bem sei que a história foi “sugerida” por um leitor mas… Há histórias reais bem mais recentes (1992!!!) e directamente relacionadas com os jogos de computador… Por outro lado, uma psicóloga devia ter uma preocupação pedagógica e maior cuidado ou rigor. Conhece o caso? Se conhece devia dar-nos mais alguns dados ou referências. Ou as afirmações que faz são totalmente gratuitas? O rapaz praticava wrestling ou algum desporto de contacto? Sabe se ele via wrestling habitualmente ou frequentava ginásios? Sabe como começou a “brincadeira” que terminou mal? E de onde vêm as “centenas de outros tanto jovens”? Conhece-os? E não os influencia em nada? nada mesmo? De onde vem tamanha segurança e certeza das suas afirmações? Claro que estou a ser injusto, a Drª Alexandra certamente estudou o caso com profundidade, talvez até tenha participado numa equipa de investigação que se dedicou a demonstrar aquilo que afirma. Teria muito interesse em conhecer as referências dos estudos publicados com base nessa investigação…

Depois de umas banalidades sobre aprendizagem de comportamentos que a autora designa por “critérios técnicos” (fico sem saber qual o significado da frase, a intenção da autora e se esta conhece o significado da palavra “critério”), somos brindados com esta sapiência: “a indústria do entretenimento e videojogos, tal como todas as outras, funciona fundamentada na lei básica da oferta e da procura”. E não satisfeita, afirma “E, infelizmente, o público procura cada vez menos jogos ou entretenimento baseado em contos de fadas, princípios humanos e morais de bondade, solidariedade ou amizade. O público procura violência gratuita, jogos como o Manhunt”

Uma economista de gema, este psicóloga… Pena que se tenha esquecido da dimensão artística dos videojogos (se calhar não concorda…), sabe que existem diferenças entre as indústrias culturais e a indústria de enlatados? Sabe que os videojogos também já são perspectivados enquanto arte? Suponho que sabe que a arte não pode estar apenas sujeita à “lei da oferta e da procura”?

Sabe quantas unidades de Manhunt foram vendidas? Sabe quantas pessoas jogam World of Warcraft ou Guild Wars? Sabe quantas unidades foram vendidas dos jogos Sims, Pókemon ou do Microsoft Flight Simulator? Será que podia facilitar alguns dados para sustentar essa generalização ridícula? Se calhar não pode porque não existem. Ou melhor ainda, se calhar vai descobrir que os dados das vendas (os únicos que permitem afirmar o que o público procura…) revelam uma realidade bem diferente daquela que imagina na sua mente, descobre que está a ser preconceituosa e que desconhece a real dimensão do problema que pretende abordar. A não ser que considere que os vários milhões de jogadores de WoW escolheram esse jogo pela sua “violência gratuita” ou para fugir dos “contos de fadas”…

Por fim, de que violência está a falar? Violência das representações ou violência das regras, da mecânica do jogo? Existe uma grande diferença…Lembro-me de um paper, apresentado em 2000/2001 num congresso em Portugal, onde uma psicóloga analisava a violência de um jogo de computador baseando a sua douta análise nos textos que acompanhavam o jogo… Uma nova forma de analisar o conteúdo dos jogos, nem é preciso jogar, basta ler os textos das embalagens…

Se a Alcina Lameiras inaugurou o “não negue à partida uma ciência que desconhece”, Alexandra Ramirez avança com uma nova escola “desconhece à vontade mas diz que és cientista e pronto, sei lá”.

A psicóloga esqueceu-se de referir (ler?) os estudos já feitos sobre o efeito dos videojogos no comportamento, sobre a relação entre jogar videojogos violentos e comportamento agressivo. Esqueceu-se de referir que não existem ainda provas definitivas (muitas das investigações têm problemas metodológicos) mas que alguns estudos sugerem que algumas pessoas têm um comportamento mais agressivo imediatamente após jogarem jogos violentos, no curto prazo. Esqueceu-se de referir que não existem investigações sobre efeitos a longo prazo e que alguns surveys indicam que os jogadores de jogos violentos são mais agressivos do que jogadores de outros jogos (jogos violentos tornam os jogadores mais agressivos ou jogadores agressivos preferem jogos violentos?).

A psicóloga esqueceu-se de referir que todos os jogos têm uma indicação/informação sobre o seu conteúdo e a idade a que se destinam. Discutir sobre os efeitos em crianças de 10 anos dos videojogos que se destinam a maiores de 16 não é a mesma coisa que discutir os efeitos de videojogos para crianças de 10 anos em crianças de 10 anos… Não é sério misturar as duas coisas. Se um pai deixar o seu filho de 10 anos no cinema e este entrar numa sala onde está a ser projectado o “Baise-moi” (polémico filme francês de Catherine Breillat que ficou famoso pelo sexo e violência explícitos) ou o “Império dos Sentidos”, a “culpa” é do pai? do miúdo? do rapaz/rapariga dos bilhetes? do realizador do filme? do dono da sala? do distribuidor? A comparação parece-me bastante honesta… se não gostam da ida ao cinema, pensem no pai que compra o DVD e tem o filme em casa.

E que argumento é este: “não temos moral para criticar a indústria porque esta apenas nos dá o que nós queremos”??? ahn??? 2000 anos depois, Pilatos ainda tem seguidores… Esta senhora certamente que não teve o prazer de jogar jogos que inauguraram géneros, quem podia querer um FPS antes de jogar Wolfenstein 3D ou Doom? Não percebe que existe invenção, criatividade e originalidade na história dos videojogos? A indústria pode e deve ser responsabilizada pelos títulos que edita, pelos títulos e conteúdos que decide editar e pelos projectos que opta por não apoiar… A violência é uma forma simples, rápida e de baixo custo de implementar interactividade nos ambientes virtuais. Parece-me claro que se existe tanta violência nos conteúdos isso deve-se sobretudo ao facto de os videojogos estarem, na sua maioria, enquadrados por uma lógica de mercado que apenas pretende lucro e não recompensa a arte. E isso é responsabilidade da indústria. O público quer violência? Talvez algum, sim. Mas isso não desculpa as opções da indústria e o público educa-se.

Na minha opinião, faz falta um conceito de “serviço público” nos videojogos e maior responsabilidade/consciência social, pedagógica, cultural e artística na indústria dos videojogos (provavelmente, a começar por quem escreve em revistas da “especialidade”). Sim, os videojogos também são forma de arte e não podem estar sujeitos apenas à “ditadura do gosto do público”. Novamente, a comparação com a literatura ou o cinema parece válida. Suponho que se as editoras livreiras apenas publicassem o “Eu, Carolina” e os livros da Margarida Rebelo Pinto, a psicóloga diria algo como “mas é isso que o público vai ler, eles apenas publicam os livros que o público quer, a culpa é do público”. Pobres videojogos, com “amigos” destes que não compreendem a sua importância e o seu estatuto cultural e artístico, venham os inimigos…


mente insana em corpo são ou Evangelho de Lucas

31 December, 2006

Lucas, Pedro (Dezembro, 2006). “Videojogos: as desculpas que queríamos”. Men’s Health, 69. p.52-54.

Nunca simpatizei muito com as revistas “femininas” ou “masculinas”. Confesso que me irritam as revistas que utilizam o género como elemento identificador, caindo inevitavelmente nos estereótipos, nas generalizações parvas, e que mais não conseguem do que criar títulos do tipo “Como conseguir mais sexo no verão” ou “Orgasmos múltiplos: como ter mais prazer”… A isto adicionem capas com raparigas seminuas de ar muito “inteligente” ou com “celebridades da aldeia de baixo” ao lado de letras a vermelho que asseguram que eles estão divorciados… Enfim, percebem o género.

Cá em casa, onde estou a passar o Natal, alguém (ainda não descobri quem…) comprou a última Men’s Health. Como o tema está na moda, lá houve um “jornalista” (não sei se… em todo o caso, é o chefe da redacção da publicação) que dedicou o seu tempo (ou não… pela qualidade do conteúdo não deve ter dedicado muito…) a opinar sobre videojogos… Um desastre… Adiante.

Vejamos então como abre o artigo:

“Começamos por referir que, apesar de não existirem teorias fundamentadas sobre as consequências dos videojogos, pelo que investigámos, acreditamos que estes benefícios estão directamente relacionados com o tipo de jogos que se escolhem para passar o tempo. Os de elevada violência não fazem parte desta etiqueta! Portanto, o efeito dos videojogos depende sempre do que escolhemos, de como os usamos e durante quanto tempo.”

Tanto para dizer. Reparem como o autor transforma a questão num acto de fé (influências do seu nome?). Perante o problema epistemológico (segundo ele, não existem “teorias fundamentadas” sobre o tópico… ou não investigou ou não sabe o que são “teorias” ou não sabe o que significa “fundamentadas”, provavelmente todas juntas…), Lucas resolve com a fé (acredita). É uma solução muito comum, quando a ciência não resolve, recorre-se ao sobrenatural e à religião. Não obstante, aquilo em que Lucas acredita é um perfeito disparate. Enfim, cada um acredita naquilo que quer. Infelizmente, bastava-lhe ter lido um qualquer resumo do “Tudo o que é mau faz bem” do Steven Johnson, editado este ano e disponível em qualquer livraria, para perceber a tontice da sua afirmação.Convenhamos que, no mínimo, a investigação foi pobrezinha…

No final do parágrafo, reparem como Lucas, certamente cedendo à tentação de evangelista, termina com um novo dogma, uma nova verdade da sua fé inquebrantável. Não há teoria, não há ciência sobre o assunto mas Lucas investigou, acredita e postula: “Portanto, o efeito dos videojogos depende sempre do que escolhemos, de como os usamos e durante quanto tempo.” Amén.

E pronto, está estabelecida a legitimidade do autor para dizer tudo o que lhe der na real gana…

Não vou dissecar as sugestões de jogos de Lucas, são todas muito politicamente correctas e pouco interessantes. No entanto, há uma que sobressai das demais. É que Lucas sugere o FIFA Manager 07 para não ganhar barriga… Nem sei que diga… certamente um incorrigível treinador de bancada, Lucas não resiste a dar o ar da sua graça de macho e trazer a bola para o texto. Não querem ganhar barriga? Então sentem-se diante do televisor durante horas a comprar e vender jogadores, a definir tácticas de jogo, etc. Não se esqueçam dos aperitivos e da cerveja fresquinha…

Continuando a ler o Evangelho de Lucas sobre videojogos, chegamos à parte da educação, onde o autor nos oferece este sábio parágrafo:

“Existem estudos que provam que os videojogos ajudam a fomentar destrezas e habilidades de aprendizagem, particularmente nas crianças. Se, mesmo assim, acha que os seus filhos passam horas a mais a jogar, limite-lhes a 60 minutos por dia, ainda que isso dependa da idade. E porque não jogar com eles? Estará a educar, ao mesmo tempo que se divertem, se for transcrevendo o que se passa no jogo para exemplos da vida real. É assim que a relação pai-filho faz mais sentido!”

E pronto, se Lucas diz que “existem estudos que provam” então é porque é verdade… Para quê identificar? Para quê a referência completa dos estudos? Os leitores devem ser tão ignorantes e parvos que não compreenderiam os estudos, não tem interesse. Lucas certamente leu e agora sintetiza tudo num conjunto de lugares comuns e banalidades sem sentido. Os leitores só têm de acreditar. Sempre a fé… Costela de evangelista… Por exemplo, a recomendação para limitar o tempo de jogo das crianças a 60 minutos por dia “ainda que isso dependa da idade”. Não faço a mais pequena ideia de onde vem esse número e muito menos de como varia com a idade e quais as idades a que se refere… mais isto faz algum sentido???

Por fim, a maravilha da “pedagogia de Lucas”: Se eu jogar com o meu filho, estarei a educá-lo enquanto nos divertimos se eu “transcrever” (sic) o que passa no jogo para exemplos da vida real… ROFL Desculpe mas ainda não consegui parar de rir…LOL

“Videojogos: as desculpas que queríamos”? Nãaa… fica tu com essa desculpas Lucas… Eu não preciso de desculpas (vantagens de ser ateu, graças a Deus) e, se precisasse, pela amostra do Evangelho, provavelmente encontrava as minhas num qualquer escrito apócrifo…


jogos de natal

31 December, 2006

Neste período natalício, as minhas escolhas recaíram em…

PC: Guild Wars 😀

Portátil: Baldur’s Gate 2

PSP: Lumines e Metal Gear Ac!d

mas logo que possa vou tentar arranjar o KillZone para a PSP 🙂 gostei do aspecto…


wiiiiiiin

31 December, 2006

Num final de tarde de um fim-de-semana de Dezembro, já em busca das prendas de natal, decidi levar a minha quest à FNAC do Colombo. Na secção dos jogos de computador, uma menina entretinha-se a demonstrar aos interessados como funcionava o comando original da Wii (é divertido, acreditem…). Parece que havia muita expectativa, tinha sido lançada à meia-noite daquele mesmo dia e já estava esgotada! É caso para dizer Wiiiiiiiin!!!!

Partilho ainda mais uma informação: naquele dia, já não havia nenhuma Wii à venda no Colombo e, até hoje, ainda não vi nenhuma nenhuma pronta a levar, só vejo caixas vazias e as consolas de demonstração… se calhar, ainda bem 😀 O jogo da Zelda está tão giro…