os licenciados, os mestres e os doutores em GuildWars

Existe algo de fascinante e viciante no sistema de títulos do GW 😀 Existem títulos que são uma delícia ostentar (adoro os meus “wisdom seeker” e “survivor”) e outros estão tão próximos de obter que é difícil resistir (ah já só me faltam 20 itens gold para ganhar o título “xxx”? Então vamos lá tentar obter mais este 🙂 Não servem para nada em especial na mecânica do jogo, é possível e até normal completar as missões sem ter obtido qualquer título. São um modo de mostrar aos outros que fomos capazes de fazer algo, que tivemos a persistência, o dinheiro, a competência ou a sorte de conseguir atingir mais uma meta. São uma forma de mostrarmos empenho no jogo, isso parece-me claro.

O GW oferece títulos para todos os gostos: se se abrir 100 arcas de tesouro com chaves que custaram X peças de ouro, ganha-se a possibilidade de ornamentar o nosso nome com um título tipo “treasure hunter”; se se identificar 100 itens gold (os diversos itens do jogo estão hierarquizados consoante seu grau de raridade e a cada grau corresponde uma cor: brancos são os mais comuns, depois surgem os azuis, seguem-se os púrpuras, dourados e, finalmente, os raríssimos verdes), ganha-se o título “wisdom seeker”; se se atingir o nível 20 sem morrer uma única vez, somos “survivor”; se se explorar 60% do continente…etc. Cada título tem depois vários níveis de desempenho, aos 100 itens somos A, aos 500 somos B e por aí fora.

Os títulos podem ser uma forma fácil e rápida de avaliar a capacidade e a experiência de um jogador (exemplo: um Master Cartographer of Tyria já visitou 100% do mapa do continente de Tyria!!!). De certa forma, assemelham-se ao esquema de certificação que utilizamos para validar aprendizagens (licenciados, mestres,etc.). Escolhemos o “curso” (abrir tesouros, não morrer, explorar território,etc.), ou vários, e depois vamos obtendo os graus que correspondem ao nosso nível de desempenho, ao que já fizemos, a certificação.

Da enorme variedade de títulos resulta claro que nem todos têm o mesmo valor ou indiciam o mesmo tipo de capacidades ou experiência. Um “Sunspear Commander” é alguém que já conseguiu matar muitos monstros, um “Lucky” é alguém que conseguiu ganhar muitas recompensas nos jogos de azar que surgem durante os festivais, durante as épocas especiais. Não obstante, todos só são possíveis de obter com bastante esforço (skills, tempo e/ou dinheiro virtual).

Tendo em conta que vivemos num mundo tão obcecado pela “utilidade” (que na maior parte dos casos apenas esconde uma vivência imersa na futilidade), admira-me que os títulos ainda não sejam utilizados como critério para recrutar novos membros nas guildas (pelo menos ainda não vi ninguém dizer que só recruta jogadores com um determinado título)… Talvez isto signifique que os jogadores têm a percepção que é possível ser um bom jogador sem ter obtido qualquer título ou “certificado” e que o “hábito não faz o monge”, que todos têm um lugar e um papel a desempenhar, que a diversidade é mais rica do que a normalização 🙂 Por outro lado, se os títulos forem alguma vez utilizados como único (ou principal) critério de “empregabilidade” nas guildas, será rápida a distinção entre títulos com maior “empregabilidade” e títulos com maior percentagem de “desempregados”. Será um pequeno passo até os jogadores deixarem de investir o seu esforço em títulos que não garantam a sua “empregabilidade”? Talvez… se assim for, perder-se-á certamente o know-how e o conhecimento adquirido… Se a “empregabilidade” se tornar no principal critério, o caminho será triste, perde-se o “lúdico”, o valor fundamental original…

Já imaginaram a tristeza que era se a “utilidade” dos cursos de ensino superior no “mundo real” valessem apenas pela sua “empregabilidade”?

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