E amanhã, onde vou farmar? o futuro dos mmorpg

É uma discussão ou tema que surge com regularidade: qual o futuro, as tendências de desenvolvimento, dos mmorpg? Não tenho a presunção de conhecer o futuro, não sei utilizar as cartas de Tarot como a Maya, não utilizo as artes do Prof. Karamba nem consta que tenha o apoio do Oráculo de Bellini… Todavia, acho que algumas linhas são previsíveis, outras desejáveis e ainda há umas que espero estar errado 🙂

  1. maior realismo: é provável que os mmorpgs acompanhem a “tendência geral” (sobretudo nos FPSs) e implementem maior realismo nas representações (não estou a falar das regras, apenas do modo como representam os cenários e agentes, dos modelos e texturas). Por um lado, o maior realismo das imagens é uma forma simples de aumentar a sensação de presença dos jogadores, aumentando a presença, a validação cognitiva do ambiente virtual, é provável que aumente a identificação dos jogadores com os cenários e avatares, com o jogo, e aumente o prazer. Não obstante, haverá sempre lugar para mmorpg fora do mainstream que privilegiam a história e as regras e que irão orgulhosamente ostentar o seu estilo “cartoonish”. Parece-me previsível que a vinda dos mmorpg para o mainstream, a captação de cada vez mais adeptos, irá fazer-se por este caminho. Por outro lado, é conhecida a ligação da indústria de jogos com a do hardware (placas gráficas e processadores) 😀 para se justificar a aquisição de placas gráficas novas e processadores mais potentes, nada melhor do que jogos mais exigentes (do ponto de vista gráfico). Ou seja, se quiserem contar com apoio da indústria do hardware, criem mmorpg que exijam a compra do material produzido por essa indústria…
  2. “high level” e “low level”: Também me parece previsível um cenário onde vão existir mmorpg “de vanguarda” e “para iniciados”. Mmorpg cada vez mais complexos, com regras mais difíceis de dominar (para satisfazer os adeptos mais empenhados ou com mais experiência), e mmorpg mais simples, próprios para quem quiser começar a dominar o “género”. Ora cá está uma diferença importante relativamente ao universo dos FPS. Na minha perspectiva, os adeptos de FPS querem mais realismo, mais opções de costumização, maior riqueza na representação, mas são relativamente conservadores quanto às regras (ludus e paidea). Vão certamente surgir novos estilos de jogo em equipa mas o Team Deathmatch será sempre rei… Os adeptos de mmorpg pretendem maior evolução na complexidade do jogo, regras mais complexas. Ou seja, para satisfazer os adeptos “clássicos” ou captá-los para novos jogos, parece-me que o desenvolvimento obriga a mais regras e funcionalidades, combinações mais complexas. Por outro lado, a maior complexidade não será de fácil digestão para os iniciados, será cada vez mais difícil “entrar pela primeira vez” num mmorpg. A solução deverá passar pelo compromisso da generalização do género levar ao desenvolvimento de mmorpg para iniciados, mais simples. É um simples caso de “usabilidade” 😀
  3. pagamentos: As modalidades de pagamento também vão sofrer algumas alterações. É provável que mais jogos adoptem o modelo do Guild Wars (só se paga 1 vez, na compra do jogo) ou do Silkroad/SecondLife (“cliente” totalmente gratuito, paga-se para obter algumas funcionalidades – aceder a alguns espaços ou posse de alguns itens, etc.). Se estes itens comprados com dinheiro real puderem ser transaccionados dentro do jogo, será uma forma de aumentar a relação entre economia real e virtual…
  4. estética da representação: O estilo estético também deverá sofrer algumas alterações. Penso que os jogadores de mmorpg começam a ficar cansados de tantos mmorpg de “capa e espada” (medieval fantástico) ou sci-fi e começarão a surgir mmorpg baseados em cenários diferentes, provavelmente mais próximos do actual/moderno (i.e. Second Life, The Sims Online), com cenários mais “historicamente realistas” e menos “fantásticos” (i.e. Roma Victor), abordando universos temáticos ainda não explorados (i.e. Africa)
  5. paidea/ludus: Mmorpg que apresentem situações novas e coloquem problemas diferentes do habitual (i.e. Pirates of the Burning Sea), com interacções mais variadas, menos violentas, mais ricas do que resolver tudo com o “fio de espada”(i.e. Tale in the Desert). Mmorpg com enorme variedade de profissões, incluindo não-combatentes.
  6. perspectiva: A visão na 3ª pessoa (i.e. Lara Croft style) é habitual e é provável a introdução de mais elementos na 1ª pessoa (i.e. Doom style). será também uma forma de ir buscar adeptos de outros géneros…
  7. crossing: a proliferação de mundos persistentes e plataformas (pc, psp, ds, xbox, ps2, ps3, etc) parece sugerir o caminho da ubiquidade. Por um lado, os jogadores deverão poder aceder ao seu mundo persistente e universo de eleição através de várias plataformas (i.e. jogar na rua com a psp e em casa com a ps3 ou pc). Por outro lado, talvez surjam algumas possibilidades de migração entre universos ou criação de espaços comuns, espaços onde chars de WoW podem interagir com os de L2 ou GW 😀 As guildas que possuem jogadores espalhados pelos diversos universos agradeciam…
  8. economia: Actualmente, com algumas excepções, a regra é a economia virtual não ter qualquer relação “oficial” com a economia real. Jogadores recolhem itens virtuais e vendem por dinheiro real “cá fora”. Já surgiram as primeiras empresas dedicadas ao negócio e haverá certamente a intenção de regular este mercado. Parece-me inevitável a introdução de cada vez mais funcionalidades que façam esbater a relação entre “economia dentro do jogo” e “comércio fora do jogo”. As empresas que gerem estes jogos não deverão negligenciar este mercado durante muito mais tempo sob pena de incentivarem o mercado paralelo, clandestino, privando-se de mais uma fonte de receita e permitindo que factores estranhos subvertam (destruam?) a experiência de jogo originalmente delineada e desejada pelos jogadores.

Estas pistas apenas vêm complementar o s modelos actualmente existentes. Não me parece realista esperar que o “modelo vigente” (universo medieval fantástico ou sci-fi, perspectiva na 3ª pessoa, interacção baseada no combate, universo fechado sem relação entre jogos, economia paralela) desapareça ou seja substituído por estes novos figurinos. Parece-me razoável esperar uma maior diversidade, incluindo os modelos actuais e modelos que seguem as pistas que identifiquei.

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