aqui há gato no chapéu do meu sobrinho

Vem este post (muito atrasado!!!) a propósito de uns minutos que passei com o V, durante as últimas férias de natal, a jogar “Cat in the Hat”.

Tenho 4 sobrinhos (sim, todos rapazes…), dois pares de irmãos: o V e o M, o J e o A. O V tem 4 anos, faz 5 lá para o verão, é um rapaz inteligente e activo, bem disposto, regra geral é fácil lidar com ele.

Não sei muito sobre o jogo “Cat in the House” mas posso partilhar alguns dados interessantes:

– é um jogo de plataformas 3D: existe um percurso que o Cat deve seguir, durante a viagem ele tem de ultrapassar obstáculos, capturar alguns itens, despachar os inimigos (são uns cães tipo poodle e o método de”despachar” consiste em disparar umas bolhas de sabão com um chapéu de chuva para prender o poodle…), etc. Uma boa parte da dificuldade (e prazer) do jogo consiste em conseguir ir progredindo através do saltitar entre plataformas. Neste caso, em vez do tradicional bidimensional, temos um cenário 3D com câmara que se move e caminho serpenteando no vazio…

– Outros aspectos interessantes: a música – bem engraçada e animada; cores – vivas e contrastantes; animação -saltos, guarda-chuvas pára-quedas e dispara bolhas de sabão é um mimo.

– o jogo exige muito mais do que uma boa coordenação ocular-motora. Exemplo? Imaginem uma meia-laranja, sempre que o vosso personagem saltar para cima da meia-laranja é projectado no ar (tipo cama-elástico). A força com que são projectados no ar depende da força da queda e do local exacto na meia-laranja onde caem (mais perto do centro = maior projecção no ar). Agora imaginem que o vosso elevador (para continuar o percurso) implica ter de coordenar o salto entre uma meia dúzia de “camas”…

-Apesar de tudo, é um jogo bastante simples para miúdos pequenos: sempre a andar em frente, o caminho é fácil de identificar, obstáculos exigem sobretudo destreza. Um jogo que um miúdo de 4 anos consegue jogar sozinho 🙂

– Observei:

a) Os únicos momentos em que o V. pára são situações onde é necessária uma maior destreza do que o habitual para superar o obstáculo (por exemplo: fim do nível). Nesses momentos, ele dá-me o comando ou aceita prontamente a minha sugestão de “tomada de controle” para resolver o obstáculo. Após o problema resolvido, comando volta para ele. [servi como uma espécie de zona de desenvolvimento proximal 😀 a capacidade de jogar dele é constituída pela sua capacidade autónoma e pela mais-valia que eu represento, eu trago para a sua zona de alcance autónomo áreas que estariam fora do seu alcance se estivesse sozinho]

b) não houve nenhuma situação que ele não conseguisse resolver e que eu solucionasse à primeira tentativa. Acredito, sinceramente, que para resolver alguns obstáculos muitos adultos necessitariam de mais tentativas do que o V. [para parar é preciso estar perante uma dificuldade real, necessitar de ajuda especializada “just in time”]

c) se eu não conseguir superar o obstáculo logo nas primeiras vezes, se precisar de tentativas, ele pede logo para tentar também (como se dissesse algo do tipo “se é por tentativas, eu também quero”, “assim também eu” ou “afinal não tens uma coordenação/destreza muito superior à minha, por tentativa também lá chego”). [autonomia, acreditar em si e nas suas capacidades, tomar as rédeas do seu destino e assumir consequências, não aceitar autoridades injustificadas, cada um vale o que mostra, tentativa-erro para resolver problema]

d) houve uma ocasião que eu não consegui resolver (tentei umas 2, 3, talvez 4 vezes) e ele conseguiu. Sorte? Pouco provável. Tendo em conta a diferença de idades e experiência… é de ficar boquiaberto… [momento em que uma criança de 4 bate uma de 33 😀 nota: a probabilidade de tal situação voltar a ocorrer aumenta proporcionalmente à idade da segunda criança]

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